Remoção Endoscópica de Cálculos: O Que É, Como Funciona e Quando É Indicada
A remoção endoscópica de cálculos é um procedimento minimamente invasivo usado para retirar “pedras” dos canais da bile ou do pâncreas, evitando, em muitos casos, uma cirurgia aberta tradicional. Ela costuma ser o tratamento de primeira escolha para pedras no canal biliar porque tem alta taxa de sucesso e recuperação mais rápida para o paciente.
O que são cálculos biliares “no canal”

Os cálculos biliares são pedrinhas formadas, em geral, dentro da vesícula biliar, mas às vezes elas “escapam” e ficam presas no canal que leva a bile do fígado até o intestino (via biliar). Quando isso acontece, podem surgir dor forte na parte superior do abdome, pele e olhos amarelados (icterícia), febre e até inflamação do pâncreas.
Quando a pedra fica presa no canal, o organismo normalmente não consegue expulsá‑la sozinho, e é aí que entra a remoção endoscópica.
Como é feita a remoção endoscópica de cálculos
De forma simplificada, o procedimento segue estes passos:
O paciente recebe sedação ou anestesia para não sentir dor nem desconforto.
Um tubo fino e flexível com câmera na ponta (endoscópio) entra pela boca, passa pelo estômago e chega ao início do intestino delgado.
Pela ponta desse aparelho, o médico injeta contraste e tira radiografias para localizar as pedras no canal.
Em seguida, faz uma pequena abertura na saída do canal da bile (papilotomia) ou dilata a região com um balão, para “alargar” a passagem.
Com cestos ou balões especiais, o médico puxa as pedras para fora do canal, deixando a bile voltar a fluir normalmente.
Quando a pedra é muito grande, ela pode ser quebrada em pedaços menores com aparelhos específicos antes de ser retirada, técnica conhecida como litotripsia.
Para que tipo de paciente esse procedimento é indicado
A remoção endoscópica de cálculos é indicada principalmente quando:
Há pedras no canal biliar causando dor, icterícia ou exame alterado.
Existe infecção na via biliar (colangite), que é uma situação mais grave e precisa de desobstrução rápida.
A pedra está associada a inflamação do pâncreas (pancreatite por cálculo biliar).
Restaram pedras no canal mesmo após cirurgia da vesícula (cálculos residuais).
Em pessoas idosas ou com outros problemas de saúde, essa técnica é especialmente útil por ser menos agressiva do que uma cirurgia aberta.
Vantagens em relação à cirurgia tradicional
Em comparação a uma cirurgia aberta para explorar o canal biliar, a remoção endoscópica costuma trazer:
Menos cortes e menor trauma no corpo, já que tudo é feito por dentro do tubo digestivo.
Tempo de internação mais curto e recuperação mais rápida.
Alta taxa de sucesso na retirada das pedras em grande parte dos casos.
Por isso, hoje ela é vista como padrão de tratamento para a maioria das pedras no canal biliar.
Riscos e possíveis complicações
Mesmo sendo um procedimento seguro, existem riscos, como:
Inflamação do pâncreas depois do exame (pancreatite pós‑procedimento).
Sangramento no local da abertura feita no canal.
Perfuração (furo) no intestino ou no canal, situação rara, mas séria.
Infecção da via biliar (colangite), que precisa de tratamento com antibióticos.
Felizmente, essas complicações são pouco frequentes e, na maior parte das vezes, podem ser tratadas no hospital.
Como é o preparo e a recuperação
Antes do procedimento, o paciente costuma:
Ficar em jejum por algumas horas, seguindo orientação da equipe médica.
Suspender ou ajustar remédios que afetam a coagulação do sangue, quando necessário.
Depois da retirada das pedras:
O paciente é observado por algumas horas e, dependendo do caso, pode ter alta no mesmo dia ou no dia seguinte.
É comum o médico recomendar bastante hidratação, dieta leve no início e uso de remédios para dor, se preciso.
Se a causa dos cálculos não for tratada (por exemplo, vesícula cheia de pedras), o médico pode indicar uma cirurgia da vesícula em outro momento, para evitar que o problema se repita.
Quando outras técnicas podem ser necessárias
Em algumas pessoas que já fizeram cirurgias anteriores no estômago ou intestino, o caminho até o canal biliar fica diferente, o que pode dificultar o procedimento padrão. Nesses casos, podem ser usadas técnicas mais avançadas, como endoscópios especiais de maior alcance ou procedimentos guiados por ultrassom endoscópico.
Quando a remoção endoscópica não é possível ou não resolve o problema, o médico pode indicar alternativas, como cirurgia ou abordagem percutânea (por punção através da pele), de acordo com a situação de cada paciente.
Urgegastro – Porto Alegre – Dr. Nelson Coelho, Gastroenterologista que atende no Hospital Moinhos de Vento
